Ao centro da foto uma mulher branca de frente aparece da cabeça até o tornozelo. Ela usa boné e sorri. Está de lenço escoteiro laranja e azul claro, camiseta amarela, legging preta. Segura uma pá com a mão direita à sua frente, no meio do cabo de madeira, e a mão esquerda na extremidade do cabo. Ela está em um local com mato e terra. No canto direito da foto escrito em branco: Como deixar sua UEL mais sustentável? No canto inferior direito o logo dos Escoteiros do Brasil São Paulo.

Dicas para deixar a sua UEL mais sustentável

Por Gustavo Ribeiro

É cada vez mais comum se deparar com a temática da sustentabilidade no nosso dia a dia escoteiro. Não à toa, nosso fundador nos deixou a célebre frase “deixe o mundo um pouco melhor do que encontrou”, e essas palavras casam muito bem com o conceito de sustentabilidade: estender a disponibilidade de recursos naturais e a capacidade da Terra de manter a vida para as futuras gerações.

É fácil entender o papel de chefes de estado, líderes mundiais, acadêmicos e organizações da sociedade civil – principalmente as que atuam pelo meio ambiente –  no que diz respeito à preservação, recuperação e luta pela natureza. Mas o que nós, voluntários escoteiros, podemos acrescentar à nossa rotina para desenvolver conceitos de sustentabilidade? E mais, como podemos transformar o nosso espaço, as Unidades Escoteiras Locais, em ambientes que integrem educação e desenvolvimento sustentável?

Antes de mais nada, vamos abandonar o conceito de urbano e não-urbano e entender que, independente de onde estivermos, somos parte da natureza que nos cerca. Mesmo que estejamos em um parque urbano, em um fragmento de vegetação afastado da cidade ou em uma escola municipal, estaremos consumindo recursos naturais e despejando na natureza resíduos e efluentes e, consequentemente, gerando impactos ambientais.

Tendo isso em mente, podemos ter como foco duas frentes de atuação nas UELs para melhorar a relação escoteiro-natureza: a implementação de técnicas e instrumentos para diminuir impactos ambientais e a transformação da sede do grupo escoteiro ou seção autônoma em um ambiente educador. Uma coisa está diretamente ligada à outra e veremos isso ao longo deste texto.

1. Técnicas e tecnologias sustentáveis

São dispositivos e hábitos que podem auxiliar na diminuição dos impactos gerados nas atividades escoteiras. Que tal tornar a sede de sua UEL um ambiente de zero resíduo? Deixe de disponibilizar descartáveis e incentive os jovens a usar suas próprias canecas ou garrafas. Já pensou em disponibilizar os certificados de progressão de maneira digital ao invés de imprimir uma folha para cada um? Nesse link você encontrará um exemplo de um poncho virtual elaborado por escoteiros para atividades remotas, mas que pode muito ser utilizado em qualquer momento. Uma composteira ou um biodigestor para tratar os resíduos orgânicos no lugar das famosas fossas – que devem ser a última opção. Para os recicláveis, a melhor opção é a separação para posterior encaminhamento ao centro de triagem mais próximo. A cantina do grupo se preocupa com a distribuição de descartáveis? Os pratos têm sido saudáveis e sustentáveis? Dá uma olhada no livro de receitas do Projeto 1000 Hortas pra ter umas ideias!

Outras técnicas mais complexas podem ser implementadas, como painéis de aquecimento solar para água dos chuveiros, ou até mesmo os fotovoltaicos para produção de energia elétrica. Para aqueles que têm grande disponibilidade de área, outras atividades relevantes são a implementação de um sistema agroflorestal ou de uma horta orgânica.

Existem muitas opções para tornar a sede um lugar mais sustentável e, com isso, nos levar ao próximo ponto da conversa.

2. UEL como espaço educador

Se existem mecanismos para diminuição de impactos ambientais, eles podem (e devem!) ser usados como instrumentos de educação ambiental. O conceito é de que o Espaço Educador é composto por elementos essenciais e que se retroalimentam: as estruturas mais sustentáveis e os processos sociais e educativos. 

“As estruturas mais sustentáveis (coletores de água de chuva, pequenas hortas modulares domésticas, aquecedores solares e composteiras domésticas) são implementadas tanto de forma demonstrativa, pedagógica (podendo ser transportada e desmontada), como funcionais, a fim de gerenciar o consumo de água, alguns alimentos, energia, e resíduos do espaço onde foram instaladas.”
Alessandra de Oliveira, Sandro Tonso (2012)

Portanto, ao implementar na sede da UEL instrumentos de redução e mitigação de impactos ambientais, o próprio ambiente físico pode ser utilizado como trampolim para o ensinamento de conceitos e valores relacionados à sustentabilidade e à preservação ambiental.

Agora que todos nós estamos em casa podemos incentivar também os jovens a adotarem hábitos sustentáveis dentro das suas rotinas.

Lembre-se: esse processo todo não precisa ser caro! É claro que algumas tecnologias bastante avançadas disponíveis no mercado tem um custo consideravelmente elevado, mas é muito simples montar uma caixa para composteira (dá pra fazer isso até num apartamento) ou implementar uma horta. Como escoteiros, estamos o tempo todo exercitando a criatividade e dessa vez não vai ser diferente.

Boa sorte no processo de transição da sua UEL para um Espaço Educador!

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