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Escoteiros tiram dúvidas sobre islã e mulher muçulmana

3 de outubro de 2017

Com o objetivo de esclarecer sobre a cultura e os costumes muçulmanos, o Grupo Escoteiro Líbano-Brasileiro 396/SP organizou o evento “Islã e a Mulher Muçulmana” na manhã de domingo (17/9) na Mesquita do Brás, sede da Associação Religiosa Beneficente Islâmica do Brasil (ARBIB), mantenedora da Unidade Escoteira Local (UEL).

Os escotistas e as escotistas prepararam vídeos explicativos que foram apresentados durante o evento, alternando entre palestras, depoimentos de recém-convertida e de autoridades religiosas como o presidente da ARBIB, Hassan Ali Gharib, e o Sheik Mohamed Khalil, líder espiritual da comunidade islâmica de Foz do Iguaçú, no Paraná. O Sheik veio para a capital paulista exclusivamente para atender os cerca de 60 participantes do evento.

Os voluntários escoteiros de mais de 10 grupos diferentes da capital fizeram a inscrição pelo SIGUE e receberam a orientação quanto à vestimenta adequada. As mulheres de saia ou bermuda deveriam vestir uma legging por baixo, respeitando a lei islâmica. Para as que foram conhecer a mesquita, o local de oração, os organizadores distribuíram lenços para cobrir a cabeça chamado hijab.

Considerado como uma proteção para a mulher muçulmana, o hijab é usado para deixá-las longe de “olhares que nos perseguem”; “das palavras que nos machucam” e “das maldades que nos cercam”. É uma vestimenta que está inserida na identidade da mulher muçulmana conforme explicação das mesmas nos depoimentos apresentados no vídeo Hijab . Todas ressaltam que o lenço ou o véu não as impossibilitam de ter uma vida normal, mas que é intrínseco à mulher muçulmana.

Elas deixam de usar o hijab quando estão com familiares diretos como pai, irmão, marido e filhos apenas. Para cuidar do cabelo ou realizar um tratamento estético devem apenas dirigir-se a estabelecimentos com profissionais do mesmo gênero, o que acaba restringindo e de certa forma mistificando o universo da mulher muçulmana.

O Grupo Escoteiro Líbano-Brasileiro 396/SP foi criado em 2015, em outubro. As escotistas e as jovens (lobinhas, escoteiras, guias e pioneiras) devem usar uma camisa específica adaptada, cujo comprimento vai até pouco acima do joelho. Dessa forma, podem praticar o escotismo sem desrespeitar a lei islâmica.

A escotista entrevistou cinco mulheres muçulmanas nascidas no Brasil e as apresentou no vídeo das mulheres felizes e livres. São depoimentos de como vivem seu cotidiano e porque se sentem tão bem com o hijab, uma vez que faz parte das obrigações como a oração e o jejum, por exemplo.

Após as palestras históricas e de costumes e apresentações de vídeos, os participantes tiveram a oportunidade de tirar dúvidas com o Sheik que respondeu perguntas relacionadas ao tema e outras gerais como a poligamia. Segundo o líder espiritual, pelo islamismo, o homem é que deve sustentar a família. Se tiver condições financeiras, pode ter várias esposas, mas esclareceu que é uma parcela ínfima da comunidade nessa situação (2%). A maior parte é de famílias monogâmicas.

O uso da burca também foi assunto e o Sheik esclareceu que a vestimenta está relacionada à cultura do país e não à religião. Uma das palestrantes também ressaltou que casos de apedrejamento são tratados como atos de pessoas desequilibradas e que não é uma prática em tempos atuais.

O depoimento de uma recém-convertida e de ascendência japonesa dá uma ideia de como é a realidade vivida pela mulher muçulmana em seu dia a dia. Era evangélica e há dois meses começou a usar o hijab. “Meus pais suplicam para não usar”, disse. Outra mulher recém-convertida e presente no evento também diz que tem sofrido represálias no condomínio onde mora por causa do hijab. “As pessoas confundem e associam a ideias erradas”, desabafou. O desconhecimento e a associação da imprensa internacional da religião com terroristas são fatores que deixam a comunidade cada vez mais vulnerável a ataques preconceituosos.

Artur Berberian,Coordenador de Relações Institucionais Externas dos Escoteiros do Brasil – Região de São Paulo, agradeceu a realização do evento dentro do escotismo, uma vez que o grande valor do movimento escoteiro é a diversidade. O evento foi realizado em parceria com o Círculo de Cooperação Inter-religioso Regional, com o representante Mohamed Jawab Gharib, interlocutor da comunidade islâmica. Para o Sheik, os escoteiros são como profetas de Deus, uma vez que têm a diretriz de respeito ao próximo dentro da Promessa e Lei escoteiras.

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