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Projeto quer afastar jovens da criminalidade pelo escotismo

15 de novembro de 2018

Via Portal Piracicaba Hoje 

Três adolescentes morreram numa troca de tiros com policiais militares na zona norte de Piracicaba. Os jovens estavam em um carro roubado, com uma quarta pessoa – que fugiu –, e tinham entre 14 e 17 anos. Assim ficou marcado o início de outubro passado.

Triste ocorrência, hoje regular no cotidiano de muitas cidades brasileiras, a mistura de jovens e violência costuma ser um desafio a pessoas e órgãos dedicados a mudar essa história. O caso acima, registrado no bairro Parque Piracicaba, motivou o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) a desenvolver algo. A iniciativa recebeu o nome de Escoteiro na Escola.

“A idealização do projeto começou numa reunião extraoficial, em meados de outubro”, conta Marcio José Pereira, presidente do Conseg. “Com a preocupação de oferecer atividades extracurriculares que premiassem o entretenimento sadio, o resgate de valores morais, éticos e cívicos, representantes da sociedade civil (Conseg) solicitaram ajuda ao movimento dos escoteiros de Ártemis e da Escola Estadual Prof. Hélio Penteado de Castro [na qual estudavam dois dos mortos no confronto].”

A intenção é afastar os jovens da rede pública de ensino do mundo da criminalidade e assim prevenir fatalidades como a ocorrida no Parque Piracicaba. Também se deseja resgatar a participação das famílias na educação de seus filhos e nas atividades comunitárias, aspecto fundamental para o sucesso dos esforços. Para tanto, o meio será colocando-os em contato com o mé- todo e a prática escoteira.

“Quanto mais escoteiros, cidadãos melhores teremos em nossa sociedade”, acredita Cintia Nogueira, chefe do Grupo Escoteiro João Batista de Ártemis 414/SP. “Os escoteiros fazem amigos e incorporam conceitos importantes de trabalho em equipe, inclusive de respeito ao próximo.”

Para que as sugestões saíssem do papel, uma série de parcerias foi selada – Conseg, Igreja do Parque Piracicaba, direção da Escola Hélio Penteado, representantes do legislativo municipal (vereadora Nancy Thame), Escoteiros de Ártemis e a segurança pública de Piracicaba (Guarda Civil Municipal, Polícia Militar e Polícia Civil).

Dez famílias interessaram-se no programa, somando 15 jovens. O início, ainda em etapa piloto, aconteceu no último sábado (10). Foi o primeiro encontro dos inscritos com os escoteiros de Ártemis. “Estamos abertos a ideias e parcerias. As discussões e propostas continuam sendo levantadas nas reuniões do Conseg”, ressalta o presidente do conselho.

Conforme salienta Cintia, o Escoteiro na Escola integrará o jovem a uma turma que aprende brincando e que está sempre alerta para servir. “Isso contribui bastante para o autodesenvolvimento deles. Durante todo o processo, nós, como chefes escoteiros, trabalhamos a construção de seu caráter. É um complemento ao ambiente escolar e familiar”, diz.

Flávia Baptista, diretora da Escola Hélio Penteado, concorda com o poder de transformação do escotismo. “Pelos princípios e valores de solidariedade e auxílio ao próximo, além da relação dos jovens com Deus (independentemente da religião), com eles mesmos e com a sociedade”, explica. “Quando começamos a ter esse olhar de empatia, de cuidado, vamos deixando a violência de lado.”

Munida desse espírito e da preocupação com os indivíduos que tocarão o futuro, a educadora topou o projeto proposto pelo Conseg. Sua reflexão avança a linha da simples constatação de que diversas crianças estão à mercê da sociedade. Busca, na realidade, a responsabilidade que cada um de nós tem para com o viver em sociedade, para com o próximo.

“Como estamos trabalhando a formação dessas crianças e jovens? Meu objetivo maior, claro, é mantê-los dentro de uma atividade, mas uma atividade saudável. Algo que não seja só o celular e a internet, e sim o contato com a natureza, o respeito pelo outro e o autoconhecimento”, completa Flávia, cuja mentalidade resume bem o espírito do Escoteiro na Escola: “É mudar essa realidade de violência e mostrar outro lugar no mundo para eles, os jovens”.

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